Recorte 3

Recorte-3

Meu padrasto diz que não precisa da base, ele sabe muito bem estourar fogos de artifício sem precisar de proteção. Ainda é dia, apesar de ser início da noite, e minha mãe diz que não vai dar para ver nada dos efeitos, “espere anoitecer”, ela alerta. Rubens ignora – ele está ansioso para testar seu novo brinquedo. Ele acende o isqueiro e encaminha a chama para perto do rojão de pólvora. Eu imagino todas as tragédias que podem acontecer (o tiro sair literalmente pela culatra e incendiá-lo, por exemplo), mas no fim o que acontece é beleza. Primeiro, na verdade, vem um susto. O barulho é alto como se o ar estivesse fugindo dali de medo. O cheiro de fumaça vem forte às minhas narinas. Aí, só então, olho para o céu: bem a tempo de ver as luzes de fogo se chocarem umas contra as outras, criando uma cascata de luzes verdes e vermelhas, como o duelo entre o bem e o mal. É lindo. Quem sabe não seja um feliz ano novo?

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