Recorte 17

Recorte-14

Estava lendo meus diários de infância. Adquiri essa mania só agora, já que antes achava todos eles lamentáveis em relação a minha vida atual – mas nem preciso comentar como esse jogo virou (se você caiu aqui por acaso, tudo aconteceu assim). Li no meu diário de menina uma nota em que eu lamentava ser incapaz de dobrar barquinhos de papel. Até hoje sou, mas hoje isso não importa tanto, já que não tenho colegas para competir em quesitos como distância percorrida e demora para afundar. Dobrar barquinhos de papel não é mais uma demanda urgente, então provavelmente nunca vou aprender.

Escrevo, porém, por outro motivo. Que coisas que nós gostaríamos de ter aprendido e não fomos capazes? Por mais jovem que você seja, quantos mistérios você já perdeu a oportunidade de desvendar? Eu, por exemplo, não fui capaz de aprender a assoviar colocando os dedos na boca. Eu também nunca consegui escalar árvores com a eficiência exigida para competir com os meninos da minha rua. Eu nunca aprendi a amar a mim mesma. Mas nem para tudo isso a gente está velho demais – e o primeiro passo para o conhecimento é descobrir as coisas que não estão funcionando corretamente.

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