Recorte 18

20160122121054

Corta-se o bolo, todos vão embora. Sobem os créditos, todos se levantam. Para o avião, todos descem. Alguns finais, porém, são mais difíceis de aceitar do que esses – e mesmo esses: sempre esperamos para saber se não vai ter mais um docinho, uma cena pós-créditos, uma escala.

Com o tempo, porém, acostuma-se. Você já comeu um monte, já viu um filme inteiro, já fez uma viagem, para quê alongar os processos?

Falei que estava revisitando diários antigos, não? (veja aqui e aqui). Há muitos pensamentos inocentes perdidos entre eles. “Qual a graça de beber?”, “Eu odeio o Brasil”, e um porção de outros. Um deles, porém, me pareceu o mais assombroso: “E foram felizes para sempre.”

Nem o tempo dura para sempre, é pura pretensão achar que vamos além do universo. É mais, é desrespeito. A gente pode ser muito mais feliz se aceitar desde o início que as coisas acabam. Aproveite o aniversário, já que não é todo dia – e nem teria graça. Curta o filme, desfrute da viagem.

Viva o romance! De seu início a seu fim.

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