Nota do autor

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Meu livro só dá despesa – e isso é bom

Peço licença a Soraya para roubar o blog dela por uma postagem e escrever como eu, Bruno Bucis. Uma reportagem publicada recentemente no Estadão (você pode ler aqui), explica como é “fácil” publicar um livro. Há, claro, opiniões divergentes, mas não estou aqui para rebater o texto – quero é levantar alguns questionamentos

Eu, meu mecenas

A matéria cita autores que investem R$3mil na impressão de seus livros. Conheço histórias de quem já gastou mais. Ainda se considera um risco investir em arte. Investir em trabalhos autorais, então, desespero. Agora se for de alguém iniciante, então, é um absurdo, uma estupidez.

Há um pensamento, porém, de que você não deveria investir no seu próprio trabalho, que se ele fosse bom mesmo, os outros que iriam investir. O problema é que, como deixa claro o texto, ninguém nem chega a ler o texto de um autor iniciante caso ele não tenha boas e volumosas indicações.

E por que ter medo de se patrocinar? Para que um livro seja lido, as pessoas tem de conhecê-lo. Meu começo, mesmo com a ajuda de alguns, também tem sido de despesas – e não me arrependo. Investi em um domínio de internet e em promoção da página da história no Facebook. Quero consquistar as “poucas que ainda acreditam na literatura nacional”, como diz a reportagem.

Paguei e não me arrependo. Enquanto tiver meios, sustento a mim e minha arte, não preciso que ela segure a barra para mim todo o tempo. Ela já me sustenta por dentro, posso, em conta partida, portanto, fazer isso por ela no exterior.

Aqueles que leem

Iniciar como autor já é uma longa jornada. Na sociedade do imediatismo, tornar seus “textões” não conhecidos, mas apenas lidos, é uma dificuldade. Você vira o amigo chato, que compartilha os posts como quem lança uma carta em uma garrafa no meio do oceano.

Não há melhor coisa para um escritor do que ser lido, não importa por que meio. Sabe aquele seu amigo que está tentando um espaço nesse ramo? Talvez o melhor jeito de ajuda-lo seja simplesmente lendo, buscando entender a história, opinando. Ajudando até mesmo a construir a jornada dos heróis – ou vilões.

O velho método

Mesmo que esteja mais “fácil publicar”, ainda estamos muito ligados a uma forma analógica de ver os livros. Se não tiver um formato que copia a forma que estamos acostumados, não é um livro. Se não é um livro, eu não sou um escritor.

Recorremos, talvez por inércia, ao modelo tradicional de livro, com a capa bonitinha, história completa, no formato pdf/epub, disponível pra download, etc. ‘A Tobogã’ é um tanto diferente. Sua história, por meio de folhetins, me obriga a propor uma “nova” forma de leitura (veja mais sobre).

Mas estamos muito presos ao formato tradicional. A administradora de um grupo de escritores me disse que eu deveria divulgar meu livro sempre acompanhado da capa. Quando disse que o livro não tinha capa, que existia através de postagens em um site, que funcionava como os antigos folhetins, perdi sua atenção.

Para alegria dessa administradora, em breve futuramente ‘A Tobogã’ será lançado também em formato e-book, como já estava previsto desde o início do projeto. Mas deveríamos nos dedicar a pensar em outras formas de ler, em outras formas de conhecer novos autores – e não em outros meios para ganhar dinheiro.

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