Recorte 34

20160308073908

 

Caminhando pela rodoviária, estendem-me uma rosa murcha, quase feia, e gritam: “feliz dia da mulher.” Eu pego a flor apressadamente e avanço pelas escadas rolantes. Amassada entre a multidão, a rosa fica mais feia e desbotada a cada passo. Paro para estudá-la. Lhe cortaram as folhas, lhe cortaram os espinhos, enfiaram ela num celofane. Talvez um dia a rosa já tenha sido bonita, mas não hoje, não no Dia Internacional da Mulher.

Não devíamos nem estar ganhando flores, comemorando como se fosse um feriado. Devíamos nos lembrar dos espinhos, esses sim nos trouxeram até aqui. Não foi a beleza das flores, mas o sangue que caiu sobre elas que nos deu esse espaço. Depositemos essa flor no túmulo de tantas mulheres que morreram e que ainda morrem no mundo para se fazerem respeitadas. Talvez assim a rosa fique bonita.

Anúncios