Entrecapítulo 13/14 (2)

entrecapitulo-9

 

Trilha sonora: ‘Amor de Bo(b)a’ – por Banda Band-Aid.

 

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Leia o Capítulo 13

Leia o Entrecapítulo 13/14 (parte 1)

 

Pra variar, hoje nós tocamos mais um monte de músicas da década de oitenta. O que eles não percebem é que, de fato, não estamos ensaiando nada. Cantamos músicas que quase todo mundo sabe tocar. Nossos ensaios não são engraçados, pois ninguém erra. Vivemos em um piloto automático musical.

Eu tinha que fazer alguma coisa para transportá-los de volta para o presente (percebeu o trocadilho com o ‘De Volta Para o Futuro’, que também é da mesma época). Para essa missão quase impossível (‘Missão Impossível’ não é de oitenta, mas ficou legal na frase), mostrei para eles uma música que escrevi.

 

“É um poema que escrevi logo que terminei com o Luís e que musiquei um tempo depois. Foi uma forma de manifestar minha raiva através de rimas.”

É uma baladinha que não deixa de ser legal, se pega o ritmo bem fácil e a maior de todas as vantagens é que pode ter a nossa assinatura. Ela, na verdade, é um poema que escrevi logo que terminei com o Luís e que musiquei um tempo depois – musiquei mentalmente, não sei fazer cifra. Foi uma forma de manifestar minha raiva através de rimas.

*

Amor de bo(b)a
.

Quando eu me acostumei

Com seu jeito de comer

Com som do seu sax

Com sua mania de correr

.

E quando eu me casei com você

Tive que me adaptar e parar de beber

Foi quando eu ouvi você me dizer:

“eu não amo mais você”

.
(Refrão)
E onde tu estiver eu estarei com você

No papel de bala

No encarte do CD

Eu gritarei pra quem quiser saber

O quanto eu amo você

.

Arrumei as minhas coisas e mudei

Fui morar numa casinha de sapê

Namorei um cara de gola rulê

Foi por aí que conversei com um ET

.

Quando fui visitar meu pai que estava a morrer

Vi você na rua jogando poquêr

Foi quando eu ouvi você se arrepender:

“eu ainda gosto de você”

.

(Refrão)

.

Me levantei e gargalhei

Agora eu é que não quero mais te ver

Já não ligo mais pra você

Au revoir, baby, namastê.

*

Apenas li o papel onde tinha anotado a letra, não quis cantar para não parecer pretensiosa. Tenho que admitir que as reações foram muito adversas e ninguém, a não ser eu mesma, adorou. O Salsicha até que gostou bastante, mas acho que ele gosta bastante de qualquer coisa. O Mastodonte foi mais sincero, mas assumiu que temos que mudar algumas coisas. Por incrível que pareça, quem sugeriu uma porção de coisas interessantes foi o Cláudio.

No fim, eles decidiram ensaiar a minha música, acho que muito mais pra não decepcionar a “cantora recém-contratada” do que por gostarem de fato da letra. A própria sequência de palavras sugere o ritmo, mas quem cifrou mesmo foi o Cláudio. Daí pra frente, o ensaio acabou ficando mesmo só na minha música.

“Salsicha deu um beijo estalado na minha bochecha e disse: “você é a melhor coisa que me aconteceu”. Mas foi só um ato falho, ele queria dizer “nos” aconteceu.”

Percebi que ela é um chiclete de ouvido, o refrão não sai da cabeça. Antes de deixarmos a sala 25, Salsicha deu um beijo estalado na minha bochecha e disse: “você é a melhor coisa que me aconteceu”. Mas foi só um ato falho, ele queria dizer “nos” aconteceu.

*

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