Entrecapítulo 20/21 (2)

Recorte60

Ontem à noite foi a festa de noivado da minha irmã.  Um saco. A “celebração em esporte fino” foi no salão de festas de um clube no Lago, contramão para alguém que mora em Ceilândia, mas talvez os colegas da Solange nem saibam onde ela mora. Gastaram como se já fosse o casamento. Havia um caldeirão enorme de risoto de camarão e a decoração era muito bonita, ainda que insípida (confere no dicionário). Eu tenho o pé tão gordo quanto o resto do meu ser, ou seja, saltos não me servem de indumentária (essa também). Sentia calor se formando em meus mindinhos e a única pessoa com quem podia conversar era meu padrasto – que já tinha exagerado nas caipifrutas e não escutava nada. Resolvi falar para minha mãe que eu estava me sentindo mal e que queria voltar pra casa o mais rápido possível. Ela apenas apontou para meu padrasto dançando a sabor do álcool e disse: “sua carona vai demorar”. Fosse um pouco mais rica voltaria para casa de táxi e tudo resolvido, mas como tinha que aceitar minha condição, fiz como meu padrasto, entornei. No meu caso, porém, não consegui nada de empolgação – ao contrário, fui acordada pela minha mãe quando babava na toalha de mesa.

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