Entrecapítulo 21/22

Recorte-61

 

Trilha sonora: ‘Físico’ – Tulipa Ruiz

Me abstive dos detalhes de minha vida sexual por achar que eles não eram de sua conta, caro, caríssimo ser leitor. Ainda assim, me curvo à vontade geral. Não vou narrar minhas transas, que estão longe de algo como uma aventura sexual, mas há um importante marco de minha vida ligado ao sexo e que você pode se interessar. À minha primeira vez.

Leia o Capítulo 21

        Guardava minha virgindade como um bem precioso, uma princesa aprisionada no alto do castelo do dragão. Sexo tem que importar para quem faz, ainda mais da primeira vez. Me arrependo, porém, de ter esperado tanto para sair desse enclausuramento, mesmo após ter encontrado o homem certo (que na época era o Luís, que se revelou como o homem errado depois, mas isso não vem ao caso). Após doze meses de namoro, eu queria muito transar com ele, ele queria muito transar comigo, mas como a virgindade estava lá interrompendo.

 

“Guardava minha virgindade como um bem precioso, uma princesa aprisionada no alto do castelo do dragão”

 

        Apenas no aniversário de um ano que havíamos estabelecido o compromisso (e quando as coisas já não iam mais tão bem quanto deveriam), resolvi tirar da caixa empoeirada a xoxota.

        Alugamos um quarto em um hotel chique da zona central de Brasília. Não valeu o preço (dinheiro que não sei como Luís arrumou), mas eu tinha horror, de fato, à ideia de ir ao motel. Com uma pressa injustificada, tiramos a roupa assim que fizemos o registro de hóspedes. Foi um horror. Eu suava muito e deslizava como um sabonete. Tinha tido a infelicidade de ler textos na internet sobre o processo biológico envolvido e passei a morrer de medo de doer muito, de sangrar. Fiz Luís gastar um tubo inteiro de KY.

 

“Tinha tido a infelicidade de ler textos na internet sobre o processo biológico envolvido e passei a morrer de medo de doer muito, de sangrar.”

 

        Ele também não estava à vontade. A pressão sobre ele era grande demais para que ele conseguisse manter a firmeza. A situação foi tão aflitiva para ambos que, no fim, só transamos pelo protocolo de dizer que finalmente havíamos feito. O resto da diária do hotel só assistimos TV.

Era um erro achar que a coisa era tão importante. Não me fiz mulher ali, me fiz mulher a cada dia de minha vida. Deveria ser um momento especial, mas não devia ser perfeito. Perfeição, como disse algum filósofo de boteco, perfeição se alcança é na prática. Pois então, é verdade.

 

Não me fiz mulher ali, me fiz mulher a cada dia de minha vida. Deveria ser um momento especial, mas não devia ser perfeito.

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