Capítulo 22 – O fim da juventude

 

Post-Capítulo-22

Trilha sonora: ‘Mistério do Planeta’ – Novos Baianos.

Na madrugada de terça-feira, acordei com o celular tocando. Assim que o toque me despertou eu já fiquei imaginando pequenas tragédias – não era. Era uma tragédia enorme.

        – Quem é?

        – É a Dani.

        – Dani?! Tá tudo bem?

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Ela não falou nada. Eu perguntei novamente, mas também não tive resposta. O vento chiava do outro lado da linha e eu conseguia e, em vez de silêncio e respiração, comecei a ouvir um choro baixo.

– Quê que aconteceu, Dani? O Pedro está bem?

Ela bufou entre as lágrimas e eu não sabia dizer se era ela rindo ou chorando ainda mais. A voz dela estava embargada e eu não conseguia entender nada do que ela me dizia, mas ainda assim sofria junto com ela. Nos comunicávamos em um idioma ancestral, a pura emoção.

 

“Eu não conseguia entender nada do que ela me dizia, mas ainda assim sofria junto com ela. Nos comunicávamos em um idioma ancestral, a pura emoção.”

       

– Calma, vamos conversar. Onde você está?

– Na Rodoviária… Para onde eu vou? – perguntou já voltando às lágrimas.

– Eu vou ai te buscar. Me espera lá naqueles restaurantes do mezanino. Eu estou indo.

Não me pergunte porque eu disse aquilo. Era óbvio que ela precisava de ajuda, mas eu era a pior pessoa para fazê-lo naquele momento. Estava de pijama, era meia noite e meia e seria um custo conseguir um ônibus. Por que ela ligou para mim? Nós nem conversamos tanto. Pedro é pau para toda obra, ele poderia ajudar muito mais. Não poderia?

Era uma noite estranhamente quente para junho, mas ainda assim eu me dobrava no casaco para atravessar as ruas desertas que me levavam até a parada. Tinha medo de assalto e de saber o que havia acontecido. Esperei no ponto ao lado das prostitutas que, solicitas, me disseram que o último ônibus só passaria dali vinte minutos. Peguei a condução e, à exceção de um homem vestido como um vampiro moderno, fui a única a fazer a viagem . Liguei de volta para a Daniela e fiquei distraindo-a e ao mesmo tempo tentando descobrir o que tinha acontecido.

 

“Zumbis do crack se movimentavam apressados entre as colunas cor-de-merda, analisando os passantes como potenciais vítimas. Apertei minha bolsa contra o corpo e atravessei o labirinto de ameaças”

 

Quando eu cheguei na Rodoviária do Plano Piloto era uma e meia da manhã. Zumbis do crack se movimentavam apressados entre as colunas cor-de-merda, analisando os passantes como potenciais vítimas. Apertei minha bolsa contra o corpo e atravessei o labirinto de ameaças. Subi a escada – as rolantes estão sempre quebradas – e encontrei Dani encostada na grade da drogaria 24 horas, a cabeça afundada nos joelhos enquanto o farmacêutico a olhava por um buraquinho na grade com suspeita. Não havia um ônibus sequer em todo o prédio.

Ao me ver ela levantou seu rosto e vi suas faces inchadas como se ela houvesse sido atacada por um enxame de abelhas. Nos abraçamos longamente. Me espantei de ver a Dani chorar tanto, uma pessoa sempre tão alegre. Onde estava a graça quando ela era necessária?

– Compra um analgésico para mim? As moedas que eu tenho não dão. – pediu debilmente me estendendo a mão com cinco moedas de cinco centavos. Peguei as moedas apenas para evitar a discussão de gentilezas e comprei o de efeito mais rápido que ele tinha. Dani enfiou o dobro da quantidade recomendada de pílulas goela abaixo.

– O Pedro está bem? É com você?

É com nós dois. – respondeu exausta –Eu tô grávida, Soraya.

O quê?

 

“Me espantei de ver a Dani chorar tanto, uma pessoa sempre tão alegre. Onde estava a graça quando ela era necessária?”

 

– Tô grávida.

– Puta que pariu.

Eu quase caí para trás de sobressalto, ela soltou um longo suspiro e riu em meio às lágrimas repetindo o meu “puta que pariu”. Segurei a mão dela e fiquei entoando “calma, calma, calma” como se fosse uma pequena oração, só não sei direito se era para mim ou para ela que eu rezava. Eu, sinceramente, não tinha nada para falar além de:

– Você tem certeza?

– Eu fiz três testes.

Um ônibus para Ceilândia chegou ao terminal com 20 minutos de antecedência. Era o último do dia. Não tínhamos tempo para ter calma. Agi como achei que deveria.

– Vamos lá pra minha casa, você come alguma coisa, toma um banho, dorme um pouco e ai nós decidimos juntas o que fazer.

 

“Caminhamos pelas ruas sombrias guiadas apenas pelo vento, não havia um poste aceso.”

 

Ela não aceitou, mas eu a levei a força. Entramos no ônibus e eu paguei a passagem dela. Notei, só então, que ela estava sem mochila. Perguntei o motivo, ela virou o rosto para a janela. O trajeto era longo, mas o motorista dirigia como se pilotasse uma nave espacial em Star Wars. Furava os sinais vermelhos, fazia curvas até o ônibus atingir inclinação de 45º. Em vinte minutos chegamos em minha parada. As prostitutas não estavam mais lá. Caminhamos pelas ruas sombrias guiadas apenas pelo vento, não havia um poste aceso.

– Dani, para que você queria que eu comprasse analgésicos?

– Minha bochecha está doendo.

– O que aconteceu?

No escuro da madrugada ela parecia se sentir mais à vontade para ser sincera.

– Meu pai me bateu.

– O quê?

– Você não entenderia.

– Nem você pode entender, amiga. Ele não pode te bater.

– Ele deveria ter batido antes.

 

“– Ele não pode te bater.

– Ele deveria ter batido antes.”

 

Não queria entrar em conflito e me calei. Chegamos a minha casa e, com a destreza de um felino, a conduzi até meu quarto. Finalmente acendi as luzes e comecei a preparar a cama para ela. Dormiria no sofá com tranquilidade.

Notei que ela lia a bula de um dos testes de gravidez que ela havia feito, como se a força de vontade fosse fazer desaparecer um dos tracinhos. Fiquei ao lado dela e li junto. Realmente fazia sentido que ela estivesse grávida, ela vinha nesses últimos dias muito enjoada, irritadiça e reclamando de frequentes dores nos seios. Ainda tinham os três testes de farmácia que ela fez. Mas eu achei melhor dar a ela uma esperança.

– Você fez muitos testes seguidos, a eficácia deve diminuir já…

– Eu já tinha certeza do resultado antes mesmo de fazer o exame, amiga – respondeu ela me interrompendo. Ela jogou a bula na lixeira do meu quarto e soltou o cabelo. – Soraya? Eu sei que é abuso, você já fez muito por mim, mas eu queria muito tomar um banho.

Abracei-a gentilmente e dei minha própria toalha e camisola para Dani. Bastou que o chuveiro ligasse para que a minha mãe saísse de seu quarto. Conferindo o relógio, ela me encontrou na porta do banheiro – mão na cabeça e desespero na cara.

– Mãe, eu preciso muito da senhora.

*

Quando Dani saiu do banho, minha família inteira já estava a par e minha mãe, irmã e tia esperavam por ela na sala. Meu padrasto estava acordado, mas preferiu não intervir alegando algum motivo machista. Mas foi melhor ele não estar lá: a recepção exclusivamente feminina já foi um choque para minha amiga. Ela se sentou ao meu lado no sofá, ignorando a presença de todas as pessoas ao redor.

– Você é muito bocuda! Já foi contando para todo mundo.

– Não, calma. Elas vão ajudar a gente.

 

“Quando Dani saiu do banho, minha família inteira já estava a par e minha mãe, irmã e tia esperavam por ela na sala.”

 

– Eu sabia que não deveria ter te ligado.

– Não diga isso! Eu quero te ajudar, mas eu nem sei direito o que aconteceu.

– Eu já te disse, estou grávida.

– Isso não diz tudo, meu bem.

Minha irmã nos interrompeu sentando-se no braço do sofá ao lado de Dani.

– Você já contou para o Pedro?

Dani apenas balançou a cabeça negativamente. Solicita como nunca foi comigo, Solange anunciou que prepararia um chá para ela. Minha mãe assumiu o papel de interrogadora.

– Aos seus pais, você contou? O que eles disseram?

– Eles me disseram, senhora, que eu era uma vergonha para eles, que preferiam não ter filha a ter sustentado uma vadia imoral dentro de casa. – respondeu ela secamente.

 

“Eles me disseram, senhora, que eu era uma vergonha para eles, que preferiam não ter filha a ter sustentado uma vadia imoral dentro de casa.”

 

Minha mãe se afastou como se as palavras fossem ameaçadoras não só aos ouvidos como também ao contato com a pele. Minha tia Rosa, que até então assistia tudo do sofá oposto ao nosso, levantou-se e assumiu uma postura que eu não sabia que ela possuía. Era a primeira vez que eu a olhava com as costas retas, ela geralmente carrega o peso do mundo em seus ombros. O mero ato do levantar dela prendeu a atenção de todas nós.

– Deixe a menina respirar, mana. Tudo o que ela menos precisa é de pergunta agora. Vem, menina, eu quero que você fique aqui no meu quarto. Pensa com silêncio, dorme um pouco…

Como se exercesse algum tipo de hipnose, tia Rosa pegou Daniela levemente pela mão e a conduziu até o quarto sem que minha amiga protestasse nem uma única vez. As duas entraram e fecharam a porta.

 

“Vem, menina, eu quero que você fique aqui no meu quarto. Pensa com silêncio”

 

– Acho que sua tia tem razão. A menina… Daniela, né? Daniela precisa espairecer. Não é um momento fácil o que ela está passando.

Minha mãe sentou no sofá ao meu lado como se sentasse no sofá do passado.

– Sabe, sua tia tinha mais ou menos a idade dessa sua amiga quando ela ficou grávida da Hortênsia. Ela já não estava mais no colégio, não era costume terminar os estudos assim, certinho como vocês. Eu já era casada com seu pai, não ajudei ela em nada, não como deveria ter feito. Eu mesma ainda não tinha filho, não sabia de nada.

– Deve ter sido difícil – comentou Solange colocando as xícaras de chá descombinadas na mesa de centro e foi levar os outros para o quarto.

– Sua tia não parece, mas é uma mulher muito forte. A Daniela não teria melhor ajuda.

Sem comentar mais nada, minha mãe se levantou, beijou minha testa e foi dormir. Mal o lugar foi desocupado, minha irmã se atirou nele.

– Coitada dessa sua amiga, está morrendo de chorar lá dentro.

– Eu sei, só não sei o que dizer para que ela pare.

– E tem que dizer alguma coisa? Deixa chorar, faz bem para a pele. Mas se você precisar mesmo dizer alguma coisa, diz que tudo vai ficar bem. Nunca fica, mas é bom renovar as esperanças.

 

“Deixa chorar, faz bem para a pele. Mas se você precisar mesmo dizer alguma coisa, diz que tudo vai ficar bem. Nunca fica, mas é bom renovar as esperanças.”

 

Solange foi dormir – não sem antes jogar uma almofada em mim, claro. Fiquei na sala procurando na internet coisas sobre como lidar com uma gravidez, descobri até grupos de apoio para mães de primeira viagem, assim como endereços de clínicas que seriam úteis no sentido contrário. Peguei meu caderno na mochila e anotei tudo que achei que poderia ser interessante pra Daniela em uma lista.

*

 

Quando acordei, Daniela já estava no meu quarto, o cabelo trançado para a direita e uma caneca de fumegante café na mão esquerda.  Já havia passado do horário normal de aula, mas ela não estava nem vestida de uniforme.

Tia Rosa tampouco tinha ido trabalhar. Ela nos levou para a farmácia para Dani poder fazer o teste com a primeira urina da manhã que a bula dizia que era a melhor. Deu positivo. A Dani não quis fazer outro exame. Pela manhã tinha um novo ar.

Quando voltamos para casa, meu padrasto nos esperava para nos levar ao colégio. Eu já havia recebido uma mensagem do Guilherme e da V, quase simultaneamente, perguntando se eu não iria. Não os respondi para não parecer que aquele era um dia normal – achei que era necessário um solene sério silêncio. Rubens foi dirigindo como motorista e nós duas no banco de trás. Pela primeira vez, ele ficou calado a viagem inteira. Quando o silêncio e a curiosidade já eram demais para suportar, perguntei:

 

“Não os respondi para não parecer que aquele era um dia normal – achei que era necessário um solene sério silêncio.”

 

– Dani? Por que você escolheu se abrir para mim?

– Eu não escolhi você, você que foi a única pessoa que teve a grandeza de me aceitar. Nenhuma das minhas amigas da igreja me apoiou. A única que me aconselhou foi dizendo para tirar. Veja só, amiga da igreja, minha melhor amiga. Daí eu liguei para o Pedro, mas ele começou a falar dos problemas que ele tem com os irmãos mais novos antes d’eu poder dar a notícia, imagina comigo enchendo ainda mais a casa dele? Por fim, decidi contar para meus pais sem apoio de ninguém e deu no que deu.

Eu apertei a mão dela.

– Vai ficar tudo bem.

Só então notei o rádio do carro. Tocava bem baixinho Mistério do Planeta, dos Novos Baianos. “Pela lei natural dos encontros, deixo e recebo um tanto”, cantava Moraes Moreira. O que eu recebia daquela experiência? Das últimas horas, deixo e recebo uma grande amiga.

 

“Eu não escolhi você, você que foi a única pessoa que teve a grandeza de me aceitar.”

 

*

 

Quando chegamos ao colégio já era quase a hora do intervalo. A tia do portão não estava mais nem em seu posto, só apareceu para destrancar o cadeado para nós e reclamar para a Daniela que ela não estava usando uniforme. Dani apenas sorriu e avançou escola adentro. “Há uma semana era esse meu tipo de preocupação”, sussurrou. Não seguimos para as salas de aula já que seríamos impedidas de entrar de qualquer forma. Nos sentamos na mesa sete e, sem dinheiro para pedir nada na cantina, tomamos apenas o vento.

– Que nome você mais gosta? Eu percebi que não tenho nenhum nome preferido.

– Ah! Num sei… Eu pessoalmente gosto muito de Evandro.

– Evandro é bonito, mas é forte. Não parece nome de bebê.

– Dani, isso significa que você vai ter o bebê?

 

“Faça o que você achar melhor para você. É sua vida também. O que você decidir vai ter o meu apoio incondicional.”

 

– Eu não sei. Estou pensando em todas as possibilidades.

– Hei, olha pra mim! Faça o que você achar melhor para você. É sua vida também. O que você decidir vai ter o meu apoio incondicional.

A Dani sorriu amargamente e me deu a mão.

Bem nessa hora o sinal bateu. Ela foi chamar o Pedro para contar para ele. Fiquei olhando de longe os dois. Eles sentados nas mesas de pingue-pongue e ele estava balançando as pernas alegremente. Aquilo dava uma noção da inocência dele em relação ao assunto que está por vir. Não precisava ouvir para saber que ela ficou dando voltas no tema, assim como as sementes de tipuana que caiam ao redor deles.

Mesmo de longe, deu para perceber a hora em que ela finalmente disse. O Pedro esbugalhou os olhos e ficou uns dez segundos sem nenhuma expressão. Depois ele pulou da mesa, deu dois chutes no chão e ficou agachado, com as mãos na cabeça, puxando seus cabelos negros e sujos com força. Ela voltou a chorar. Eu pensei em ir lá falar alguma coisa, mas o Mamute apareceu na minha frente. Ele veio tirar satisfação pelo meu atraso, mas eu mandei ele calar a boca.

 

“Ele pulou da mesa, deu dois chutes no chão e ficou agachado, com as mãos na cabeça, puxando seus cabelos negros e sujos com força. Ela voltou a chorar.”

 

– Quê que tá acontecendo lá? – perguntou a V vindo de algum lugar.

– Shhhh.

– Soraya. Eu preciso falar com você.

– Espera ai, Fernando. Isso tá ficando perigoso.

O Pedro e a Dani começaram a discutir. Eu nunca tinha visto o Pedro nem se quer elevar o tom da voz, imagina discutir com alguém. Quando o Pedro apontou o dedo para ela e começou a gritar, a Dani deu tapa na cara dele e aí eu achei melhor interceder. Mas foi tarde. Enquanto eu corria até o ponto em que eles estavam, os dois já haviam se separado.

A Dani se apoiou na mesa de pingue-pongue e, instintivamente, apoiou a mão em sua barriga. O Pedro foi em direção ao banheiro masculino batendo os pés. Os dois estavam chorando copiosamente. Eu e o Fernando fomos falar com o Pedro. A V e o resto do pessoal foram acudir a Dani, mesmo sem saber o motivo da briga.

– Pedro!

– Agora não, Sol. Agora não.

Ele entrou no banheiro, eu o segui. Dois meninos que estavam nos mictórios esconderam rapidamente seus pênis como se fosse meu objetivo roubá-los a inocência.

 

“Dois meninos que estavam nos mictórios esconderam rapidamente seus pênis como se fosse meu objetivo roubá-los a inocência.”

 

– Claro que tem que ser agora. Você percebeu o que você tá fazendo? Eu achei que se existisse o homem capaz de lidar com sabedoria nessa situação seria você…

– SORAYA, AGORA NÃO!

Pedro bateu a porta do reservado em minha cara. Fernando me tirou do banheiro.

– Que isso que tá acontecendo aqui hoje?

– A Dani tá grávida.

– Meu Deus!

– Exatamente.

Guilherme me viu no meio desse caos e estranhou minha presença, mãos dadas com Fernando, diante do banheiro masculino. Não havia tempo para explicar, apenas pedi para que Fê o fizesse por mim. Enquanto meu namorado se inteirava da novidade, eu voltei pra dentro do banheiro. Me sentei na cabine imunda ao lado da de Pedro. Falei tudo que me veio a cabeça.

 

“Ninguém quer que você ache que está tudo lindo.”

 

– Pedro. Olha, eu sei que deve ser muito difícil pra você receber uma notícia dessas. Eu mais do que ninguém no mundo conheço os seus planos pro futuro; Mas, presta atenção! Eu sei que você gosta muito daquela garota ali fora e nós dois sabemos que essa sua reação magoou muito ela. A Dani tá passando pelo mesmo que você, os mesmos problemas, as mesmas inseguranças. Vocês, agora mais do que nunca, precisam conversar, precisam se apoiar. Ninguém quer que você ache que está tudo lindo. Só quero que você não se deixe levar.

Ele abriu a porta da cabine bem devagar.

– Desde quando você aprendeu a falar tão bonito?

– Eu tive o melhor professor.

Eu dei um abraço nele e nós dois rimos e choramos juntos. Pena que os meus argumentos não foram tão úteis. Quando finalmente Pedro a saiu daquele banheiro, Fê nos disse que a Daniela já tinha ido embora.

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