Entrecapítulo 33/34

entrecapitulo-33

Da varanda do nosso quarto, olho o terreno do hotel e o horizonte em sua busca. Por onde ela anda? Antes de descer para procurar um lugar para comer, me lembro do verso de um poema. Eu o escrevi há alguns anos, quando a V. deixou de usar seu nome. Ela morre de vergonha, mas eu acho belíssimo: Venúcia. Redução de Vera Lúcia, que era o nome da mãe dela (a letra “n” é erro de cartório, provavelmente). Acho que o poema, ao menos a parte de que eu me lembro, porém, nunca foi tão válido. Escrevo-o em um comprovante de compra e coloco-o no travesseiro de minha amiga. Fecho a porta do quarto e saio, mas meu espírito fica ali, aguardando a volta dela, onde quer que esteja.

Venúcia! / Como não se apaixonar? / Querida pelos crentes e ateus / Pelos doutores e plebeus / Deusa da minúcia”.

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